Ações incluem consciência no consumo de recursos naturais

Muitas das pessoas que moram no entorno do Pólo Petroquímico do Grande ABC devem ter curiosidade, e mesmo dúvidas, quanto ao consumo de água, energia elétrica e outras matérias-primas vitais para a vida desse enorme complexo químico. Na realidade, água e energia elétrica, são realmente o coração de todas as indústrias, em especial as químicas. Nos últimos anos, com o aumento da consciência sobre a importância do uso racional da água e da energia elétrica para a sobrevivência do planeta, houve um movimento mundial pela redução no consumo. Tanto pelo fator econômico (água e energia elétrica representam custos altos) quanto pelo fator ambiental, as empresas do Pólo Petroquímico do Grande ABC vêm desenvolvendo programas rigorosos e ambiciosos que objetivam reduzir drasticamente o consumo de água e energia.

Já faz muitos anos que as empresas do Pólo, à exceção da Solvay, captam a água do rio Tamanduateí, de péssima qualidade, para usar nos processos produtivos. Para ser possível a utilização, as empresas têm de "limpar" a água do rio com uso de filtros, decantadores, purificadores e outros equipamentos, o que implica em custos elevados. Depois de sua utilização, a água é devolvida ao rio em condições muito melhores do que foi captada, uma vez que os efluentes do Pólo têm de atender aos padrões estabelecidos pela Cetesb. Entre os exemplos de economia está o da Solvay que, há cerca de 15 anos captava 2 mil m3 de água por hora e, hoje, capta aproximadamente 350 m3/hora.

A necessidade de um grande volume de água para a geração de vapor e resfriamento de produtos, dentro do processo petroquímico, levou a Refinaria de Capuava a construir duas grandes Estações de Tratamento de Água (ETA), que servem para o tratamento de toda a água que é consumida nos seus processos e também é enviada para as empresas do Pólo Petroquímico. Em 1997, o volume captado e tratado de água do rio Tamanduateí era de aproximadamente 650 milhões de litros por mês. Em 2002, com a ampliação da produção de derivados de petróleo das empresas do Pólo, houve a necessidade do aumento dessa captação, chegando a atingir o volume de 792 milhões de litros por mês. A Refinaria de Capuava recebeu do Departamento de Águas e Esgotos a autorização para a captação da água do rio Tamanduateí. A água captada tem apresentado uma qualidade muito ruim (carga orgânica muito alta), o que está provocando cada vez mais investimentos em produtos químicos e equipamentos que viabilizem o tratamento.

Novas alternativas de captação de água pelas empresas do Pólo Petroquímico estão sendo estudadas, de forma que, se implementadas, reduzam os custos e aumentem a competitividade das empresas do Pólo. Toda água que passa pelo processo produtivo volta para o mesmo rio depois de tratada e, embora não fique potável, retorna com uma qualidade muito superior à que foi captada. Entre outros produtos químicos os mais utilizados nas ETAs da Refinaria de Capuava são sulfato de alumínio e cloro. O resíduo gerado no tratamento pelas ETAs, da água captada do rio, é submetido a um processo de separação e enviado para ser queimado em indústrias cimenteiras. No caso da energia elétrica, também existem grandes esforços na diminuição do consumo, que se acentuaram ainda mais no último racionamento imposto pelo governo federal. Fontes alternativas de energia foram usadas pelas empresas, como o gás natural e o vapor d'água, para complementar as necessidades de energia.

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