
Embora não tenha cura, a hipertensão deve ser tratada para evitar complicações mais sérias
Entre os vários serviços oferecidos
pela APOLO (Associação das Indústrias
do Pólo Petroquímico do Grande ABC)
durante o Pólo Dá Vida, ação realizada
anualmente e direcionada à comunidade,
um dos mais procurados é a avaliação
da pressão arterial, juntamente com
os testes de diabetes e colesterol. O fato
demonstra a preocupação da população
com o controle dessas doenças crônicas,
que geralmente não apresentam sintomas
no início, mas, se não forem tratadas,
podem causar sérias conseqüências
para a saúde. Atualmente, a hipertensão
atinge 21,6% da população brasileira
com mais de 18 anos de idade
(26,5 milhões de pessoas), índice que
preocupa as autoridades de saúde.
Caracterizada pelo aumento da pressão
do sangue nas artérias em níveis acima
do normal (120x80mmHg ou 12 por
8), a hipertensão tem de ser controlada
por toda a vida com a ajuda de medicamentos,
de alimentação saudável – com
pouco sal – e da prática constante de
atividades físicas, entre outras atitudes
(veja quadro). Pesquisas comprovam que
os homens têm
mais tendência à pressão alta do
que as mulheres, entretanto, na velhice,
com o avanço da idade e a queda das taxas
de hormônios do organismo, a doença
ocorre de modo similar nos dois grupos.
O cardiologista Tito Landivar, que atua
no Pólo Dá Vida, explica que 70% dos
casos da hipertensão têm influência genética.
Isso significa que um indivíduo
com pais ou parentes próximos hipertensos
tem maior probabilidade de desenvolver
a doença. “Nos últimos anos
observei que o número de casos na região
continua o mesmo. Mas percebi que o número
de hipertensos controlados aumentou,
o que felizmente diminuiu os registros
de complicações”, ressalta.
A verificação regular da pressão arterial
em postos de saúde e hospitais ainda
é a forma mais simples de identificar e
controlar a hipertensão. O médico explica
que quando apresenta pressão maior que
140x90mmHg ou 14 por 9, o indivíduo já
é considerado hipertenso. “Quando a
pressão está muito alta, a pessoa pode
sentir dores no peito e na cabeça, tonturas, zumbido
no ouvido,
fraqueza,
visão embaçada
e sangramento
nasal”, orienta.
Em longo prazo, o
aumento contínuo da
pressão provoca a arteriosclerose, que se
constitui no endurecimento das paredes
das artérias e é responsável por infartos e
derrames (acidente vascular cerebral).
A hipertensão sem controle também
provoca insuficiência cardíaca e renal, diminuição
da visão e problemas na retina.
Além do histórico familiar, alguns indivíduos
podem ter pressão alta devido ao
uso de medicamentos como anticoncepcionais,
corticosteróides e antiinflamatórios.
“Algumas mulheres também têm risco
para hipertensão durante a gravidez”,
enfatiza o cardiologista, ao alertar que
obesidade, estresse, bebidas alcoólicas e
tabagismo favorecem de modo importante
o aumento da pressão arterial.
Mudança de hábito
Apesar de não ter cura, é possível conviver com a hipertensão e manter a qualidade de vida. Conheça algumas medidas de controle:
Verifique diariamente a pressão
arterial em postos de saúde ou hospitais
Evite a obesidade e mantenha o peso
Pratique atividade física regular – mínimo
de 30 minutos diários, três vezes por semana –
como natação, ciclismo e caminhada
Mantenha uma dieta saudável, rica em frutas,
verduras e legumes
Evite açúcares, frituras e enlatados
Prefira alimentos cozidos, assados, grelhados ou refogados
Evite o sal, que favorece a retenção de líquidos e
aumento da pressão; basta uma colher de chá para
toda a alimentação diária
Prefira temperos naturais como limão, ervas, alho,
cebola, salsa e produtos lácteos desnatados
Evite o álcool e o tabagismo
Diminua o estresse e relaxe com alguma atividade
prazerosa como leitura, pintura, dança e outras
Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia